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We Join Civil Society in Calling on COP30 to Put Care at the Centre of Climate Action

We Join Civil Society in Calling on COP30 to Put Care at the Centre of Climate Action

English | Português

 

{ENGLISH}

 

Civil society organisations from across Latin America and beyond have issued an open letter to the Presidency of COP30 calling for care, decent work and a truly just transition to be placed at the heart of global climate action. The letter highlights how paid and unpaid care work sustains life yet remains invisibilised, undervalued and unevenly distributed, particularly affecting Black, Indigenous, rural and women in peripheral territories. It also warns that climate change is deepening existing inequalities, increasing the burden of domestic and community care while failing to recognise the vital role women play in adaptation and resilience. The organisations urge COP30 to integrate the human right to care into climate strategies, strengthen public services, ensure meaningful participation of women carers in negotiations and place care at the centre of policies on loss, damage and reparations.

 

Open Letter to the Presidency of COP30

Care, decent work and a just transition: for an economy that sustains life

Belém, 2025

To the Presidency of the 30th Conference of the Parties to the United Nations Framework Convention on Climate Change (COP30),

We, civil society organisations, address the Presidency of COP30 to reaffirm the urgency of placing care at the centre of the just transition, decent work and global responses to the climate crisis.

Care work — paid or unpaid — sustains life, economies and territories. However, it remains invisibilised, undervalued and unequally distributed. In regions such as Africa, Asia, Latin America and the Caribbean, women perform three to five times more hours of unpaid care work than men. In Brazil, 91% of domestic workers are women, 65% of them Black, demonstrating how gender, race, class and age inequalities structure the work that upholds the dignity of human life. This work is therefore feminised, racialised and continues throughout the ageing process of women.

Climate change aggravates this reality. The intensification of extreme events, water and food scarcity and the displacement of communities increase the time and effort dedicated to domestic or personal care — work that falls mainly on women in peripheral, rural, riverside and Indigenous territories. At the same time, they are the ones leading community actions on adaptation, biodiversity protection and resilience-building, even without recognition or adequate remuneration. Thus, paid and unpaid care work carried out by individuals and communities, in addition to environmental care, are essential dimensions of the human right to care that must shape policies and investments in climate action, now and in the future.

The new Gender Action Plan of the UNFCCC, currently under discussion, recognises for the first time care work as an emerging theme essential for gender equality and climate action. This development is historic and requires political commitment so that it translates into financing, the strengthening of universal and high-quality public services, training and the effective participation of unpaid women carers and workers in climate and economic decision-making, in order to achieve a truly just transition.

The Brazilian Presidency of COP30 has the opportunity to lead this process and to consolidate globally the care agenda as part of the just transition. Brazil can show the world that decarbonisation is not possible without the recognition and valuing of the work that sustains life and that is carried out mainly by Black, Indigenous, peripheral and rural women of all ages.

For this reason, we call on COP30 to:

  • Integrate the four dimensions of the human right to care (caring, being cared for, self-care and environmental care) as a pillar of strategies for a just transition, decent work and climate adaptation, in line with the ILO’s 5Rs Framework — Recognise, Reduce, Redistribute, Reward and Represent;
  • Recognise care systems and public services as essential structures for climate resilience and redirect their priorities and governance structures to acknowledge care work — paid and unpaid — as essential infrastructure for adaptation, mitigation, resilience and climate justice, taking into account the ageing of women.
  • Ensure the effective participation of unpaid women carers and workers of all ages in climate negotiations and decision-making spaces; ensure that the new Gender Action Plan includes targets and monitoring mechanisms on care, social justice and gender equality.
  • Consider care at the centre of policies on climate-related reparations and loss and damage.

A truly just transition is one that places the sustainability of life at the centre of economic and environmental policies, recognising the vital role of women, communities and all those who care for human life and nature.

Signed (in alphabetical order):

  • Bufete de Estudios Interdisciplinares AC
  • Casa Fluminense
  • CFEMEA
  • Coletivo Etinerancias – Assessoria Popular em Redes de Cuidados e Direitos Humanos
  • Coletivo Filhas da Mãe
  • CPM Micaela Bastidas
  • Fórum da Mulher Idosa
  • Fórum Feminista Antirracista Por Uma Política Nacional de Cuidados
  • Fundación Arcoíris por el respeto a la diversidad sexual
  • Global Initiative for Economic, Social and Cultural Rights (GI-ESCR)
  • ICW Latina
  • INESC

 

{PORTUGUÊS}

 

Organizações da sociedade civil de toda a América Latina e de outras regiões publicaram uma carta aberta à Presidência da COP30, pedindo que o cuidado, o trabalho decente e uma transição verdadeiramente justa sejam colocados no centro da ação climática global. A carta destaca que o trabalho de cuidado — remunerado e não remunerado — sustenta a vida, mas continua invisibilizado, desvalorizado e distribuído de forma desigual, afetando especialmente mulheres negras, indígenas, rurais e de territórios periféricos. Também alerta que as mudanças climáticas aprofundam essas desigualdades, ampliando a sobrecarga de cuidado doméstico e comunitário e deixando de reconhecer o papel vital desempenhado pelas mulheres na adaptação e na construção de resiliência. As organizações instam a COP30 a integrar o direito humano ao cuidado nas estratégias climáticas, fortalecer os serviços públicos, garantir a participação efetiva de mulheres cuidadoras nas negociações e colocar o cuidado no centro das políticas de reparação e de perdas e danos relacionadas ao clima.

 

Carta Aberta à Presidência da COP30

Cuidado, trabalho decente e transição justa: por uma economia que sustente a vida

Belém, 2025

À Presidência da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30),

Nós, organizações da sociedade civil, dirigimo-nos à Presidência da COP30 para reafirmar a urgência de colocar o cuidado no centro da transição justa, do trabalho decente e das respostas globais à crise climática.

O trabalho de cuidado — remunerado ou não — sustenta a vida, as economias e os territórios. Contudo, continua invisibilizado, desvalorizado e distribuído de forma desigual. Em regiões como a África, Ásia, América Latina e o Caribe, as mulheres realizam de três a cinco vezes mais horas de cuidado não remunerado do que os homens. No Brasil, 91% das trabalhadoras domésticas são mulheres, 65% delas negras, evidenciando como as desigualdades de gênero, raça, classe e idade estruturam o trabalho que mantém a dignidade da vida humana. Este trabalho é, portanto, feminilizado, racializado e segue ocorrendo durante o processo de envelhecimento das mulheres.

As mudanças climáticas agravam essa realidade. A intensificação de eventos extremos, a escassez de água e alimentos e o deslocamento de comunidades ampliam o tempo e o esforço dedicados ao cuidado doméstico ou de pessoas — um trabalho que recai, sobretudo, sobre mulheres em territórios periféricos, rurais, ribeirinhos e indígenas. Ao mesmo tempo, são elas que lideram ações comunitárias de adaptação, proteção da biodiversidade e construção de resiliência, mesmo sem reconhecimento ou remuneração adequada. Assim, o trabalho de cuidado remunerado e não remunerado realizado por indivíduos e comunidades, além do cuidado ambiental, são dimensões essenciais do direito humano ao cuidado que devem estruturar as políticas e os investimentos em ação climática, agora e no futuro.

O novo Plano de Ação de Gênero da UNFCCC, em discussão, reconhece pela primeira vez o trabalho de cuidado como tema emergente essencial para a igualdade de gênero e a ação climática. Esse avanço é histórico e requer compromisso político para se traduzir em financiamento, consolidação de serviços públicos universais e de qualidade, capacitação e participação efetiva de mulheres cuidadoras sem remuneração e trabalhadoras nas decisões sobre o clima e a economia, para alcançar uma transição verdadeiramente justa.

A Presidência brasileira da COP30 tem a oportunidade de liderar esse processo e de consolidar globalmente a agenda de cuidados como parte da transição justa. O Brasil pode mostrar ao mundo que não há descarbonização possível sem o reconhecimento e a valorização do trabalho que sustenta a vida e que é realizado sobretudo por mulheres negras, indígenas, periféricas e do campo de todas as idades.

Por isso, demandamos que a COP30:

  • Integre as quatro dimensões do direito humano à o cuidado (cuidar, ser cuidado, autocuidado e cuidado ambiental) como eixo das estratégias de transição justa, trabalho decente e adaptação climática, em consonância com o Marco dos 5Rs da OIT — Reconhecer, Reduzir, Redistribuir, Remunerar e Representar;
  • Reconheça os sistemas de cuidados e serviços públicos como estruturas essenciais para a resiliência climática e reoriente suas prioridades e estruturas de governança para reconhecer o trabalho de cuidado — remunerado e não remunerado — como infraestrutura essencial para adaptação, mitigação, resiliência e justiça climática levando em conta o envelhecimento das mulheres.
  • Garanta a participação efetiva de mulheres cuidadoras sem remuneração e trabalhadoras de todas as idades nas negociações e espaços de decisão climática; Assegure que o novo Gender Action Plan inclua metas e mecanismos de acompanhamento sobre cuidados, justiça social e igualdade de gênero.
  • Considere os cuidados no centro das políticas de reparação e de perdas e danos relacionadas ao clima.

Uma transição verdadeiramente justa é aquela que coloca a sustentabilidade da vida no centro das políticas econômicas e ambientais, reconhecendo o papel vital das mulheres, das comunidades e de todas as pessoas que cuidam da vida humana e da natureza.

Assinam (em ordem alfabética):

  • Bufete de Estudios Interdisciplinares AC
  • Casa Fluminense
  • CFEMEA
  • Coletivo Etinerancias - Assessoria Popular em Redes de Cuidados e Direitos Humanos
  • Coletivo Filhas da Mãe
  • CPM Micaela Bastidas
  • Fórum da Mulher Idosa
  • Fórum Feminista Antirracista Por Uma Política Nacional de Cuidados
  • Fundación Arcoíris por el respeto a la diversidad sexual
  • Global Initiative for Economic, Social and Cultural Rights (GI-ESCR)
  • ICW Latina
  • INESC

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